domingo, 16 de setembro de 2012

FORD F-1000

                  Ford F-1000

            COM MOTOR A DIESEL E TRAÇÃO 4X4, ELA AJUDOU A POPULARIZAR AS PICAPES NAS GRANDES CIDADES

Com a F-100, a Ford inaugurou em 1957 o segmento das picapes grandes nacionais. O V8 da marca sempre foi referência de força em utilitários até que, em 1979, surgiu a F-1000. O zero a mais no nome indicava seu motor a diesel, de quatro cilindros e capaz de levar 1 000 kg. Ela foi uma resposta à D-10 da Chevrolet, lançada no mesmo ano, quando as duas marcas passavam por um processo de atualização de seus motores.

O da F-1000 era o D229-4 de 83 cv, da MWM, que produzia motores para tratores. A economia no bolso era de 40% em relação ao V8, que saiu de catálogo no mesmo ano. Ela manteve a carroceria que a F-100 adotava desde 1971. Mesmo sendo bem mais cara que a irmã F-100, que continuava em linha, a F-1000 chegou a ser vendida com ágio no início. Trazia freio a disco na dianteira, servofreio e direção hidráulica opcional.

O aspecto mais rural durou até meados dos anos 80, quando veio a febre de picapes nas cidades, fossem elas transformadas (convertidas para cabine dupla ou SUV), fossem antigas customizadas como hot rod. Os modelos de série ganhavam acabamento esportivo para atrair o público mais jovem, como faixas laterais de cores vivas e rodas diferenciadas.

Essa aproximação do universo urbano possibilitou em junho de 1985 seu primeiro teste na revista, que não avaliava picapes grandes desde os anos 60. Foi um comparativo com a recém-lançada Chevrolet D-20. Na série limitada SSS (Super Série Special), a F-1000 demonstrou equilíbrio com a rival e se destacou em estabilidade e maciez da suspensão. Foi ligeiramente melhor no desempenho, mas ficou um pouco atrás em espaço na caçamba, ruído e escalonamento de marchas. Na mesma época surgiu a F-1000-A, com um seis-cilindros argentino a álcool. Para 1986 vieram faróis retangulares e grade nova. O banco 2/3 de tecido era item de série, assim como o novo sistema de ventilação (inclusive com teto solar), as calotas de alumínio, os pneus radiais e a pintura em dois tons.

É desse ano a F-1000 a diesel das fotos, que está com o médico Sergio Minervini desde 1988. O painel é completo e os espelhos retrovisores, grandes. Firme, o banco do motorista encaixa bem o corpo. O motor mostra bom torque, soando como um trator domesticado, mas falta força em ladeiras. O câmbio seco faz seus estalos, lembrando o do Opala. A suspensão é firme e os freios são eficientes com a caçamba vazia.

Para 1991, veio a versão Turbo, com 119 cv. Rápida como um carro de passeio, em nosso teste fez de 0 a 100 km/h em 18 segundos e atingiu 143 km/h. "E, mais importante: carregada com o peso máximo (1 005 kg), ela atingiu 140 km/h, enquanto a picape com motor aspirado estacionava nos 108 km/h", dizia o texto de janeiro de 1991. No ano seguinte viria uma nova carroceria, como a da americana. Em 1993, chegou a tração 4x4. "Mesmo pesando 2 395 kg, ela consegue arrancar em quinta marcha, até mesmo em subidas", afirmava a edição de setembro.

Essa história de força e versatilidade só teria fim em 1998, ao dar lugar à F-250 e se tornar a picape que ensinou ao povo da cidade os prazeres de guiar um veículo que deu tanta alegria no campo.

TESTE
QUATRO RODAS - Junho DE 1985

F-1000 SSS

Aceleração -
 0 a 100 km/h 32,19 s
Velocidade maxima - 119,601 km/h (vazia)
Frenagem - 80 km/h a 0 38,11 m
Consumo - 12,90 km/l (cidade, vazia), 14,05 km/l (estrada, a 80 km/)


PREÇO
Maio de 1985 Cr$ 61 064 209
Atualizado R$ 64 977 (ipc-sp, Fipe)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Barbosa

Estou aqui para anunciar que já coloquei no ar um novo jornal. Este jornal que antes era um jornal exclusivo do colégio Delvito Alves (que é aonde eu estudo), vai tomando um pouco mais independência, apesar de ainda ter alguns artigos da escola. Mas não é um jornal chato de escola. Neste jornal, eu arrebento com os políticos de Brasília. Este jornal é como uma versão eletrônica do jornal O Pasquim. Este jornal possui textos curtos e bastante ilustrado com charges.  Para assistirem ao jornal (que é um semanário), basta acessarem jornalobarbosa.blogspot.com

quarta-feira, 18 de julho de 2012

FORD CORCEL SEDAN

Depois de tanto tempo sumido, retorno agora com um carro espetacular: Ford Corcel!
Ford Corcel Sedan

COM TRAÇÃO DIANTEIRA, FREIOS A DISCO E ARREFECIMENTO FECHADO, ELE TROUXE INOVAÇÃO AO MERCADO

O Brasil sempre foi visto no mundo auto-mobilístico como um país promissor, o que fez com que algumas montadoras realizassem investimentos maciços em décadas passadas, justificando até a criação de modelos específicos e exclusivos para o mercado interno. Foi esse caminho que a Ford trilhou quando lançou o Corcel por aqui, em 1968.

Idealizado pelaWillys Overland do Brasil em parceria com a Renault, o Corcel foi o resultado do Projeto M, que teve seus protótipos duramente castigados para se adequarem às condições de rodagem no país. Estrutura e trem de força eram compartilhados com o Renault R12 francês, mas suas linhas suaves e retilíneas eram exclusivas do mercado brasileiro. Com a aquisição daWillys, o novo modelo médio foi apresentado como um legítimo Ford no Salão do Automóvel de 1968, ao lado dos enormes Galaxie.

O fato é que o Corcel reunia qualidades para ostentar a marca oval: tração dianteira, freios dianteiros a disco, coluna de direção bipartida e radiador selado eram novidades que o colocavam em paridade com o que havia de melhor e mais moderno no mercado europeu. Em visita ao Brasil, o piloto Stir-ling Moss considerou o Corcel melhor até que o Ford Cortina inglês: suas suspensões conjugavam robustez, bom comportamento dinâmico e maciez.

Eficiente e funcional, suas quatro portas ofereciam bom acesso e espaço para seis pessoas - mas conforto de verdade era só para cinco, por causa do câmbio no assoalho. A atmosfera de seu interior era austera, com exceção do volante e comandos herdados do Aero-Willys, responsáveis pela sensação de carro maior e mais requintado. Logo no primeiro teste, em outubro de 1968, a revista distribuiu elogios. "O carro na arrancada responde com presteza, num funcionamento tão eficiente como os da mesma classe encontrados na Europa. (...) São formidáveis os freios do Corcel", dizia o texto, que finalizava em tom de aprovação geral. "O Corcel era o carro que faltava na faixa dos pequenos para os médios."

Pesquisa realizada com 100 proprietários em março de 1969 indicava estabilidade, freios e assentos confortáveis como principais virtudes, com críticas ao acabamento interno e à confiabilidade mecânica. Não que o Corcel fosse um carro frágil, mas as cruzetas de transmissão quebravam com relativa frequência. Tardaram a ser substituídas por juntas homocinéticas, anos mais tarde.

Sob o capô estava uma evolução do motor Sierra desenvolvido pela Renault nos anos 60: sua arquite- tura era tradicional, com bloco em ferro fundido e cinco mancais de apoio para o virabrequim. O comando de válvulas ficava na lateral do bloco, acionado por corrente, com válvulas no cabeçote de alumínio. De boa elasticidade, o motor era econômico, mas oferecia desempenho fraco para seu propósito. A transmissão manual de quatro marchas destacava- se pela precisão dos engates e a tração dianteira só deixava a desejar em pisos escorregadios.

O exemplar das fotos pertence ao médico Sérgio Minervini e rodou apenas 9 000 km. Ele apresenta o raro banco dianteiro inteiriço e está impecável, incluindo até garras e protetores de para-choques, acessórios de época que foram instalados na própria concessionária Ford. Como todo Corcel da primeira safra, ainda ostenta o logotipo daWillys Over- land nos vidros e em pequenas peças.

O quatro-portas tinha tudo para ser o sucessor do DKW Belcar entre os médios compactos, porém não conquistou muitos admiradores graças em grande parte à preferência do mercado pela duas portas, em que o estiloso Corcel cupê nadava de braçada. O teste da versão quatro-portas, na edição de julho de 1969, já adiantava outras razões que fariam o sucesso do cupê."É mais bonito e cust amenos que o Corcel quatro portas. Por ser mais leve, os 68 hp rendem mais." Esquecida pelo mercado, a versão quatro-portas deixaria de ser oferecida quando veio a segunda geração do Corcel, em 1978, e a Ford só voltaria a ter um sedã nesse segmento em 1982, com a chegada do requintado primo Del Rey.

o quatro-portas tinha espaço para seis ocupantes

A traseira não tinha a inclinação suave do cupê

O clássico adesivo imitando madeira dava distinção ao interior do sedã

O motor com cabeçote de alumínio tinha 68 cv

TESTE
QUATRO RODAS
 - Outubro de 1968

Aceleração 0a100km/h - 23,6 s
Velocidade máxima -129,09 km/h (média)
Frenagem 80km/h a 0 - 30,8 m
Consumo - 9,9 km/l a 100 km/h constantes

PREÇO
Janeiro de 1969 NCR$ 12 985
Atualizado R$ 68 242 (IGP-dI, FGV)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

FORD MAVERICK 6 CILINDROS

Ford Maverick 6 cilindros

GENEROSO COM PASSAGEIROS E CRUEL COM A BAGAGEM, O MAVERICK SEDÃ BEBIA MUITO E ANDAVA POUCO

Modelos intermediários, graças a suas versões cupê, até hoje são considerados ícones nacionais de esportividade: Dodge Charger R/T e Chevrolet Opala SS já traziam essa receita quando a Ford respondeu com o Maverick. Diferentemente dos rivais, ele chegou em junho de 1973 primeiro como cupê, o que reforçou sua imagem esportiva, assegurada pela versão GT V8. No Salão do Automóvel daquele ano era apresentado o Maverick sedã, um carro que ocuparia o lugar que já havia sido do Itamaraty, assimilado com a compra da Willys-Overland em 1967 pela Ford e eliminado da linha em 1971.

Além das dimensões próximas, outra herança do antigo sedã era mantida no cofre - do motor. O seis-cilindros em linha era uma evolução do que o Aero Willys e o Itamaraty usavam, o que agilizou o lançamento do Maverick. A Ford aprimorou a durabilidade e o consumo. Pistões, bronzinas, mancais, cabeçote e coletor do escapamento, assim como o sistema de lubrificação, foram redesenhados. O filtro de ar passou a ser do tipo seco, de papel. Saiu o carburador duplo, entrou um simples. Pintado de azul e capaz de entregar 112 cv, o seiscilindros de 3 litros produzia um som distinto.

Com 17 cm a mais entre os eixos que o cupê, o Maverick sedã era mais que um mero enxerto de portas adicionais. Com dois bancos inteiriços, levava até seis pessoas. Havia as versões Luxo e Super Luxo. Num teste entre dois Super Luxo, um de seis e outro de oito cilindros, QUATRO RODAS revelou em dezembro de 1973 pontos do projeto que poderiam ser melhores, como encosto dos bancos, ângulo de abertura das portas, escalonamento das marchas e o porta-malas, menor que no cupê. Os 22,6 mkgf de torque mostravam-se modestos para o sedã. "É um motor de concepção ultrapassada. (...) E o consumo é grande, em virtude de se ter que andar sempre com o pé no fundo". Mas a maciez e suavidade no funcionamento foram reconhecidas.

O Super Luxo 1974 vermelho das fotos pertence a Paul Gregson, autor de Maverick - Um Ícone dos Anos 1970. Não por coincidência, é o carro da capa do livro. Comprado em 1992, tinha algumas alterações, mas era de único dono, com manual de proprietário, rádio funcionando e estepe original. Depois de usado no casamento de Gregson em fevereiro, o sedã está com 110 000 km.

Câmbio manual opcional no assoalho veio em 1975. Com ele, bancos dianteiros individuais e molas mais rígidas conferiam ao sedã um toque mais esportivo. Um quatro-cilindros de 99 cv era o novo motor básico. Com 157,205 km/h de velocidae máxima, ele superou no teste da edição de agosto o seis-cilindros e ainda bebeu menos, com média de 8,3 km/l. O antigo motor Willys continuou, agora como opcional, enquanto durou o estoque, quatro anos antes de o Mave rick sair de linha. Era o fim do último resquício de um Willys de passeio. Apenas o Jeep manteria o legado da marca no Brasil, até 1983.
Generoso com passageiros e cruel com a bagagem, o Maverick sedã bebia muito e andava pouco.

Além das duas portas adicionais, a versão sedã tinha 32 kg a mais e 17 cm extras no entre-eixos.

Os instrumentos traziam só marcador de combustível e velocímetro.

Câmbio manual de 4 marchas na coluna permitia ao sedã...

... ter dois bancos inteiriços, que levavam seis ocupantes.

TesteQUATRO RODAS - DEZEMBRO DE 1973

Aceleração - 0 a 100 km/h 20,8 s
Velocidade - maxima 148,148 km/h
Frenagem - 80 km/h a 0 28,65 m
Consumo - 7,9 km/l (média)

Preço

DEZEMBRO DE 1973 - CR$ 32 675
Atualizado - R$ 75 128

sábado, 7 de abril de 2012

Agamenon

Durante algum tempo ando vendo o filme "As Aventuras de Agamenon, o repórter"; e sinceramente não entendo porque os críticos de cinema acharam o filme tão ruim. Eu particularmente gosto muito do filme e da coluna dele n'O Globo. Para entenderem o porque que estou postando sobre o filme, vejam a matéria do Marcelo Madureira no site do Casseta e Planeta

sexta-feira, 16 de março de 2012

DODGE 1800-SE

Dodge 1800-SE

ELE ERA O MODELO MÉDIO DA DODGE PARA BRIGAR COM OUTROS NACIONAIS "ESPORTIVOS"

Passada a primeira impressão – em que defeitos técnicos arrefeceram o entusiasmo pelo 1800, um dos principais lançamentos de 1973 –, a Dodge se empenhou em recuperar a imagem do carro. O 1800-SE surgiu em 1974 como parte dessa estratégia. Embora de porte equivalente ao do Ford Corcel GT, seguia a receita da versão SE do Dart cupê, vendida desde 1972. Com visual despojado e esportivo, mas sem equipamentos que o encarecessem, o novo 1800 visava oferecer o básico com sabor (imitação) de diversão. Público-alvo? O jovem que não poderia pagar por um topo de linha, mas que não se contentaria com um produto de entrada insosso.

Disponível em vermelho, amarelo, verde e branco, o SE tinha para-choques, molduras das janelas e lanternas, limpadores e grade pintados de preto fosco, mesma cor da faixa nas laterais, que trazia o nome do carro. A Dodge eliminou os piscas dos para-lamas dianteiros das versões Luxo e Gran Luxo, assim como o rádio, o acendedor de cigarro e o botão que destravava o capô. A exemplo do SE derivado do Dart, o revestimento de vinil preto dos bancos do 1800-SE trazia larga faixa xadrez.

Os bancos eram anatômicos e o porta-luvas vinha sem tampa. Em vez de imitação de madeira, o painel também era preto fosco. Um filete niquelado contornava os instrumentos e o volante era esportivo. À alavanca dos piscas faltava retorno automático e à de câmbio, o revestimento. No único teste em QUATRO RODAS, em maio de 1974, a nova versão revelou virtudes inesperadas. O texto destacava o acabamento mais bem cuidado do SE. “Apesar de ser uma versão simplificada, seu interior está melhor que o dos modelos Luxo e Gran Luxo.” As janelas mereceram elogios em comparação aos demais 1800. “O nível de ruído é bastante baixo, o motor não chega a incomodar e não se ouvem barulhos de carroceria ou de batidas da suspensão.” Porém o retrovisor interno era só encaixado e se desprendia com algum impacto mais forte da pista.

Se o desempenho proporcionado pelos 82 cv do motor (igual ao das outras versões) não empolgava, as frenagens impressionavam. “A 120 km/h, os freios param o SE em 64 metros.” Em teste anterior, o 1800 Luxo precisou de 73,7. No entanto, traseira pulava em terreno irregular e os amortecedores causavam tendência ao sobresterço.

O SE 1974 das fotos, de um colecionador paulista, foi encontrado no interior do estado por um amigo. “Ele estava acabado, mas completo. Os bancos só foram lavados e receberam pequenos remendos.” Tudo mais precisou ser refeito, o que levou um ano, mesmo tempo que durou a produção do SE. Embora o segmento dos médios esportivos tenha proliferado com o Chevrolet Chevette GP e o VW Passat TS, a Dodge acabou abrindo mão da esportividade acessível do 1800-SE, para concentrar essa receita só nos seus modelos V8.


Aceleração 0 a 100 km/h
19,0 s

Velocidade máxima
140,077 km/h

Frenagem 80 km/h a 0
27,1 m

Consumo
5,2 a 8,9 km/l (faixa rodoviária) 8,2 a 11 km/h (velocidade constante)

PREÇO


ABRIL DE 1974
CR$ 25 490

ATUALIZADO
R$ 51 895
(IGP-DI – FGV)


Motor: dianteiro, 4 cilindros, longitudinal, 2 válvulas por cilindro, carburador de corpo simples
Cilindrada: 1 799 cm³
Diâmetro x curso: 86,1 x 77,2 mm
Taxa de compressão: 7,5:1
Potência: 82 cv
Torque: 14,5 mkgf
Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira
Dimenssões: comprimento, 413 cm; largura, 159 cm; altura, 138 cm; entre-eixos, 249 cm
Peso: 930 kg
Suspensão dianteira: McPherson, independente
Suspensão traseira: eixo rígido com molas helicoidais
Freios: disco na frente e tambor atrás
Pneus: aço, 5,5 x 13, pneus 6,45 x 13
Para-choque preto fosco, assim como molduras de vidro

Os bancos eram anatômicos com gomos laterais

Entre os 1800, só a versão SE trazia revestimento xadrez

Havia poucos itens de série, como...

... o volante esportivo, para torná-lo acessível aos jovens

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Não Tenho Lágrimas

Vai mais uma música bela do Simonal - Não Tenho Lágrimas